Em menos de um ano, Bento XVI vai visitar Espanha por duas vezes. Antes de Madrid, em 2011, o Papa estará ainda este ano em Santiago de Compostela e Barcelona. A perseguição aos cristãos do Iraque e o sismo no Chile estão também na ordem do dia. Finalmente, foi homenageado o pintor italiano Caravaggio.
1. O Papa vai visitar Santiago de Compostela e Barcelona, em Espanha, no próximo mês de Novembro. É significativo que Bento XVI em menos de um ano visite duas vezes o mesmo país, Espanha. E tem razões para isso, desde logo a Jornada Mundial da Juventude, que estava anunciada para Madrid desde a jornada em Sidney, em 2008. Mas é também significativo que os espanhóis se tenham ‘mexido’ a ponto de conseguirem que o Papa – que tem uma agenda preenchida e com muitos pedidos para visitar diversos países – tenha aceite visitar Espanha ainda este ano. Há uma razão de ser objectiva, que é o ano santo compostelano, com o oitavo centenário da consagração da catedral, sendo que o próximo ano santo só se repetirá em 2021. Depois de estar em Santiago de Compostela no dia 6 de Novembro, o Papa estará em Barcelona, no dia 7, para consagrar o altar da igreja da Sagrada Família, obra do arquitecto católico Antonio Gaudí, cujo processo de beatificação está em curso.
Acho que esta novidade da inclusão da visita do Papa a Compostela e Barcelona terá sido provocada pelo facto de Bento XVI realizar uma visita de quatro dias a Portugal. Assim, reavivou, no bom sentido, a velha rivalidade entre Portugal e Espanha.
2. Na oração do Angelus do passado domingo, Bento XVI não esqueceu o Iraque. “Com afecto, estou próximo das comunidades cristãs de todo o país. Não se cansem de ser fermento de bem pela pátria à qual, desde há séculos, pertencem de pleno direito”.
O Papa aproveitou a oração mariana e apelou às autoridades para apostarem na segurança: “Na delicada fase política que o Iraque está a atravessar, apelo às autoridades civis para que desencadeiem todos os esforços para devolver a segurança às populações, em particular às minorias religiosas mais vulneráveis. Espero que os interesses ocasionais e de algumas partes não prevaleçam sobre a integridade física e sobre os direitos fundamentais de todos os cidadãos”.
3. Destaco também com grande preocupação a situação dos cristãos no Iraque. O patriarca da Igreja Sírio-Católica no Iraque enviou uma carta ao primeiro-ministro do país dizendo que os cristãos do norte do Iraque, Mossu, moram lá há dois mil anos e estão a começar a desencadear o exílio com medo de perder a vida. “Nos últimos dez dias foram assassinados oito cristãos, que sofrem continuadamente ataques de criminosos”, refere a carta, salientando que os cristãos “são ameaçados nas ruas, nas escolas, nas suas casas pelo simples facto de pertencerem a uma religião diferente da maioria das pessoas da cidade”.
Também a Nunciatura Apostólica em Bagdade fez um comunicado, declarando que “a longa lista de assassínios no Iraque parece não ter fim” e que “este massacre de vidas humanas desperta horror”. Segundo a nota, “os cristãos são cada vez mais alvo de violência, assassinatos, sequestros” além de estarem a ser “destruídas inúmeras igrejas”. “As comunidades cristãs têm sido atacadas apesar da sua postura pacífica. Os cristãos sentem-se pessoas indesejadas na sua própria pátria”, refere o comunicado, sublinhando ser necessário que “a pressão da opinião pública mundial não enfraqueça, de modo a que esta violência chegue ao fim e os cristãos possam viver a sua vida em tranquilidade e professar a sua religião com segurança”.
Finalmente, o bispo de Kirkouk propôs uma jornada de oração e penitência pelo Iraque.
4. A tragédia no Chile, com o sismo do passado dia 27 de Fevereiro – que terá alterado o eixo de rotação da Terra e encurtado ligeiramente os dias, segundo a NASA – também não foi esquecida pelo Papa. “O meu pensamento vai para o Chile e para as pessoas atingidas pelo terramoto que causou numerosas perdas de vidas humanas e imensos danos”.
Bento XVI assegurou a sua proximidade espiritual e apelou à solidariedade: “Rezo pelas vítimas e estou espiritualmente próximo das pessoas atingidas por uma tão grave calamidade. Para elas imploro a Deus alivio no sofrimento e coragem nestas adversidades. Estou certo que não irá faltar a solidariedade de muitos e em particular das organizações da Igreja”.
5. Foi inaugurada em Roma uma exposição dedicada ao pintor italiano Caravaggio (1571-1610), por ocasião dos quatro séculos da sua morte. A mostra está patente no Quirinale, um espaço anexo ao palácio do presidente, e reúne várias obras-primas de Caravaggio, entre elas a Ceia de Emaús, São João Baptista, a Prisão de Cristo. Caravaggio é um pintor de luz e sombra, o que também desperta para o mistério de Deus. A exposição vai estar patente em Roma até ao dia 13 de Junho. Quem sabe se o próprio Papa não a poderá visitar, como aconteceu recentemente com a visita à exposição dos santos da Europa.