De Tubebe a Itoculo
Nasceu em Lisboa, cresceu na Paróquia de Nossa Senhora do Amparo (Benfica), estudou Filosofia e quis ser Missionário. Fez a Teologia e foi parar ao território Manjaco, no coração do interior pobre e abandonado da Guiné-Bissau. Fez ali o seu estágio diaconal na Missão de Tubebe, foi Ordenado Padre em Benfica e partiu, em 1996, rumo ao norte de Moçambique para lançar a presença Espiritana neste país lusófono: “Chegar a Moçambique, à Província de Nampula, habitada quase exclusivamente por Macuas, é uma experiência marcante. (...). A tentação das respostas rápidas, das soluções enlatadas, trazidas na nossa muita bagagem cultural, está sempre à espreita. Não julgar segundo o que aprendemos no nosso universo cultural de origem, segundo o pensamento do P. Francisco Libermann, é talvez o maior de todos os desafios”.
O povo Macua constitui um grupo minoritário e pobre. Lá, a opção pelos mais pobres não permite alternativas. O P. Pedro esteve na Missão de Netia e, depois de confiada ao clero diocesano, partiu para Itoculo onde os espiritanos fundaram uma nova Missão.
Igreja ministerial
Em Moçambique, a Igreja construiu um modelo diferente de ser e intervir. Lá fala-se sempre de ‘Igreja ministerial’, nascida das catacumbas da perseguição a que foi submetida logo após a independência. A guerra piorou ainda a situação, pois a maioria das comunidades manteve-se pela coragem dos seus líderes laicais, a coordenar os diferentes ‘ministérios’ que cada comunidade fazia surgir para dar respostas pastorais adequadas a todas as urgências. Conta o P. Pedro: “Diante do insuficiente número de Padres, as comunidades cristãs tiveram que se organizar: em pequenas capelas, por vezes escondidas no meio do mato, os cristãos reuniam-se para rezar e para partilhar a vida sofrida que levavam. Cada um tinha na comunidade o seu lugar bem definido, o seu serviço: catequista, animador de comunidade, animador de jovens, animador de justiça e paz, animadora de mulheres, animador da ajuda fraterna, responsável das relações ecuménicas, ministro da Eucaristia... são os ministérios”.
Assim, a Igreja ganhou um rosto profundamente laical, que não se alterou com o aumento significativo do número de padres nos últimos anos. É com estes ‘ministros’ que os padres se têm que entender para construir, ano após ano, um projecto de pastoral.
Missão partilhada
A Missão do P. Pedro, numa comunidade internacional jovem, foi marcada pela partilha de vida com os mais pobres. Não queria viver com os pobres e pelos pobres. Queria ser pobre. Missionário de horizontes alargados, bem cedo percebeu a importância da Missão dos Leigos. Por isso, ano após ano, jovens e menos jovens se juntaram à Comunidade Espiritana para concretizar projectos de Voluntariado Missionário. As áreas da Saúde, da Educação e da Pastoral têm sido os campos privilegiados de trabalho deste Leigos Missionários. Na nova Missão de Itoculo, fundada sob a orientação do P. Pedro, a APARF apoiou a construção de uma casa onde os Leigos têm o seu ‘quartel-general’. Lá acolheu, em 2007, os Jovens Sem Fronteiras que concretizaram o ‘Projecto Ponte’. E a sua Paróquia de Nossa Senhora do Amparo (Benfica) apoia esta Missão.
Missão em Portugal, via Roma
Ao obrigo da rotatividade, foi chamado a Portugal para Formador, passando um ano em Roma, a aprofundar estudos. Foi orador em Fátima nas III Jornadas de Espiritualidade Missionária, referindo a importância da docilidade ao Espírito Santo. Falou da urgência do amar, pois “quem não ama não acredita no amor dos outros nem no amor de Deus”. Fez um apelo à abertura aos dons do Espírito e à Palavra de Deus: “Lá, vamos buscar respostas para as nossas perguntas e não fundamentos para as nossas certezas”.
PERFIL
1969 – Nascimento em Lisboa
1995 – Mestrado em Ciência das Religiões em Paris
1995-96 – Missão com os Manjacos da Guiné
1996 – Ordenação Presbiteral em Benfica
1996-2009 – Missão com os Macuas de Moçambique
2009-10 – Estudos em Roma